domingo, 6 de janeiro de 2008

A libertação animal, afinal, também é a libertação humana.

Antes de começar a escrever sobre as verdades e os factos inerentes à criação intensiva de animais para consumo, testes em animais, e outras formas de exploração ás quais sujeitamos os seres não humanos, penso que será importante escrever sobre as várias razões pelas quais as pessoas deverão adoptar uma dieta vegetariana. Não irei ser demasiado exaustivo, pois, felizmente existem inúmeros sites e publicações sobre este tema.
O processo de adopção de uma dieta vegetariana, geralmente, não sucede de um momento para o outro, mas é, sim, um processo evolutivo gradual.
No meu caso, pelo menos, e nos casos que conheço, foi assim.
Primeiro deixei de comer mamíferos, depois aves, depois passei uma longa fase a comer somente peixe, que abandonei posteriormente, bem como o marisco. Até abandonar o leite, do qual nunca fui grande adepto, e os ovos não demorou muito, e de momento o único produto de origem animal que como, e muito raramente, é o queijo.
Acredito que dentro de algum tempo também deixe de comer queijo.
Não estabeleço, no entanto, metas. Sei que irá acontecer.
Tudo têm sucedido de acordo com a minha consciência e disponibilidade.
Encaro cada passo como um upgrade que faço, e a partir do qual só retiro vantagens.
Muitas vezes perguntam-me se não tenho saudades de comer carne.
Acreditem que não tenho...
Nenhumas.
O corpo esquece facilmente, e o que anteriormente era tido como indispensável rapidamente se torna dispensável.
Neste processo que iniciei á 2 anos, posso-vos garantir uma coisa:

Existem várias razões e justificações para uma pessoa se tornar vegetariana, e garanto-lhes que nenhuma para não o serem, a não ser o puro capricho.
Contrariamente ao que a maioria das pessoas pensa é perfeitamente possível viver sem o consumo de qualquer animal e seus derivados.

Posso-vos, inclusive, assegurar que viverão muito melhor se o fizerem.
Os vegetais, em toda a sua variedade, podem perfeitamente preencher todos os requisitos nutricionais dos humanos.
Mas voltemos ás principais razões para a adopção de uma dieta vegetariana:


O respeito pelas espécies não humanas;

A preservação do ambiente;
A saúde;
O respeito pelos humanos.

Respeito pelas espécies não humanas:
A cada segundo que passa milhares de animais são mortos em matadouros em todo o mundo. Para a grande maioria desses animais a morte surge após uma vida passada em condições deploráveis, onde são tratados como meros objectos. São alimentados artificialmente com hormonas, antibióticos e suplementos artificiais, castrados, abusados e amontoados em espaços diminutos á espera de morrer.
Os animais são seres sencientes, ou seja, são conscientes e podem experimentar o sofrimentos a nível físico e psicológico, e como tal têm interesse em evitar a dor, procurar o bem-estar e em preservar a vida.

A ética e a moral deveriam obrigar-nos, dessa forma, a respeitar esses seres e os seus interesses básicos. Algo que não o fazemos e sobre o qual Albert Schweitzer disse “O erro da ética até o momento tem sido a crença de que só se deva aplicá-la em relação aos homens."
A exploração de todos os seres não humanos por parte dos humanos, não só para a alimentação mas também para o vestuário, a experimentação científica, o entretenimento, entre outros, é definido por especismo (conceito criado por Richard Dyer e desenvolvido por Peter Singer e Tom Reagan).
O especismo atribui uma maior importância moral aos membros da sua espécie simpleste por pertencerem à sua espécie.
Tal como o racismo pressupõe uma superioridade moral aos membros da sua raça, pelo simples pressuposto de pertencerem á sua raça, e tal como o sexismo atribui superioridade moral aos membros do seu sexo pelo facto de pertencerem ao seu sexo.
Quem considera o racismo e sexismo condenáveis, não pode, dessa forma, deixar de condenar a exploração dos seres não humanos, ou seja, o especismo, sob pena de estar em contradição moral.

Preservação do Ambiente:
Graças a inúmeros documentários, alguns dos quais até dão direito a prémio Nobel, a preservação ambiental está definitivamente na moda.

Enquanto se gastam enormes somas de dinheiro na procura de soluções para o aquecimento global, poluição e outros problemas, raramente se refere que a maior causa dos problemas ambientais reside na não adopção de uma dieta vegetariana.
Senão vejamos, a maior causa da para o abate de árvores é a necessidade terras para o cultivo de cereais para o gado. Além da desflorestarão dos pulmões do planeta esta prática está a levar milhares de espécies á extinção que perdem o seu habitat natural. Ao comermos carne, dessa forma, estamos a contribuir para a principal causa do aquecimento global.
No mar, métodos cada vez mais avançados de pesca estão a levar á extinção de cada vez um maior número de espécies, alterando por completo o equilíbrio dos ecossistemas.
A produção intensiva de animais para consumo produz mais poluição, erosão e maior gasto de água e combustíveis do que os necessários para a produção de alimentos indispensáveis para uma dieta vegetariana.

Por exemplo: Para produzir 1 kg de carne bovina são gastos aproximadamente 15 mil litros de água (incluindo a rega das plantas, a higiene do animal, etc); para produzir 1kg de soja são gastos menos de 1300 litros de água, cerca de 10%. A economia de água é, portanto, superior a 90%, sem que o bife traga necessariamente um valor acrescentado significativo relativamente ao cereal.
Esta, sim, parece-me ser a uma verdade incoveniente.

Saúde:
Diversos estudos clínicos comprovam que uma dieta vegetariana trás inúmeras vantagens á saúde.
Uma dieta vegetariana equilibrada é geralmente eficaz em equilibrar os níveis de colesterol, reduzir o risco de doenças cardiovasculares e também evitar alguns tipos de cancro.
Não desejo tornar-me demasiado exemplificativo sobre todos os benefícios e estou seguro que qualquer pesquisa na net vos poderá dar uma lista completa de todos os benefícios inerentes a uma dieta vegetariana.
Não quero deixar, no entanto, de referir um dado: Repare-se que a porção na roda dos alimentos aprovada pela OMS destinada á carne têm vindo a ser reduzida sempre que existe uma actualização da mesma. Têm sido um processo lento, mas que penso chegará a um ponto onde esta será definitivamente eliminada.

Respeito pelos humanos:
Por vezes os vegetarianos são acusados de se preocuparem mais com os seres não humanos do que com os seres humanos.

Este pensamento não poderia estar mais errado.
Se, por exemplo, os Estados Unidos reduzissem o consumo de carne em 10%, 100 milhões de pessoas poderiam ser alimentadas de uma forma adequada, através de uma reutilização da terra utilizada para o cultivo de cereais para o consumo de animais produzidos para abate.
Agora imaginem o que poderia ser feito se toda a humanidade abdicasse do consumo de carne.

A criação intensiva de animais para consumo é, desta forma, um desperdício de recursos.
Os dados não enganam: 40% das sementes plantadas em todo o mundo destinam-se á produção de alimentação de gado ao invés da produção de alimentos para os humanos.
É um número incompreensível, nomeadamente se tivermos em conta que todos os anos morrem 60 milhões de pessoas de subnutrição.
Quando tiverem á vossa frente um naco de carne de vaca de 200g, imaginem 50 pessoas subnutridas. Os cereais cultivados para que esses 200 g de carne fossem produzidos seriam os suficientes para garantir uma refeição a essas 50 pessoas.
A libertação animal, afinal, também é a libertação humana.

1 comentário:

Charlie disse...

Esta muito louco my friend!

This is so true and there is no valid reason for not respecting life be it human or animal, if analised there is no valid difference!!

Be it human or non-human, life is the greates gift and no one person has the right to take it away from another being.

The Truth Will Prevail!!
Respect!